Naquela moldura fria, seu reflexo intrigava
Olhos mudos sob o lago envidraçado
Invejava todos que o viam por inteiro
Só lhe era permitido seu arquétipo no espelho
Analisou por horas o oposto contrastante
O egófago degustava seu sangue numa taça
A cada gole era reflexo, indigente, sepultado
Viníferos vapores embaçavam sua lente
No ápice afronésico quebrou a sua imagem
Tingiu de vinho sangue o mosaico estancado
Um corpo escarcalhado, boiava imergindo
Afundando em águas de aço cristalino
O real absoluto foi um sonho empreendido
Voltava consciente após a sóbria estiagem
E a verdade oculta assim estava revelada:
Era o reflexo e destruiu sua própria alma.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
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3 comentários:
Belo layout, mas sobretudo lindos textos. Parabéns pelo bom gosto e apreciável pendor literário
Belo texto! Intrigante. *---*
Mensagem profunda. Algo de descoberta, desencanto e reflexão em todos os seus significados.
Só acredito que você possa contar tais narrativas poéticas sem abusar de palavras rebuscadas. Não tenha medo de ir mais fundo. A simplicidade ajuda em grandes revelações tanto quanto a habilidade literária.
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